Vendo o Luz Silenciosa fiquei pensando em muita coisa (fácil, já que o filme não tem uma única cena que despertou meu interesse). É incrível como Reygadas tenta se filiar a uma bela tradição (a de Dreyer, Mizoguchi, King Vidor) via uma série de significantes, mas como seu filme me parece a antítese deles. É transcedentalismo de supermercado. Todo emprestado de filmes melhores, sem nenhum sentimento que não seja manufaturado. Mise en scene frustrada justamente pela forma que soa sintética. O formalismo do Reygadas é muito bobo: a cena que para mim resume o filme é ver o homem em desespero carregando o corpo sem vida da esposa num plano aberto com uma estrada no topo onde um bando de carros seguem cortando a tela em alta velocidade, detalhe que cria um suposto efeito estético “legal” mas que arruina qualquer força que a cena pudesse ter. O filme termina com uma ressurreição morta, pois calculada, quando só com entrega e crença absolutas tal momento pode ganhar vida.
This morning I headed over to the Palais Stephanie for the opening film in the "Director's Fortnight" sidebar: "Four Nights with Anna," the first film in 17 years from the great Polish director Jerzy Skolimowski, who mostly has spent his time recently acting (he was Naomi Watts' racist Russian uncle in "Eastern Promises"). The film's small, bleakly funny, quite sad, and beautifully controlled -- a tale of peeping-tom passion about a hospital handyman who drugs his favorite nurse's nighttime tea so he can sit and watch her as she sleeps. Creepy, yes, but the film teases the pathos and even nobility out of this wretched man. I found myself riding the elevator down to the screening with Skolimowski, searching for the pocket theater in confusion before he finally buttonholed a security guard and said, "Where's the movie? I'm the director!" Maybe we were lost, but his career's been found again -- nice to have him back.
O Cineclube Equipe, projeto sem fins lucrativos do Instituto Equipe Cultura e Cidadania, realiza neste sábado 17 de maio de 2008 a quarta sessão do Panorama Experiências do Cinema. O tema da sessão é o cinema de Jerry Lewis: será exibido às 16h, o filme O Terror das Mulheres, escrito, dirigido e estrelado pelo comediante norte-americano Jerry Lewis. Às 18h, haverá debate que abordará a obra do comediante hollywoodiano sob o ponto de vista do cinema experimental, com os críticos Francis Vogner dos Reis e Paulo Santos Lima. Serão disponibilizados livros para consulta e murais informativos sobre o tema, além de venda de apostilas com textos de apoio ao panorama e sorteio de livro. A sessão tem colaboração sugerida de R$4,00 e acontece no auditório do Colégio Equipe (R. Bento Frias, 223 - Pinheiros, São Paulo/ tel. 3814-2188).
O novo site da Paisà está no ar. A partir de agora com atualizações semanais. Muito conteudo e uma página de navegação bem mais prática.
Entre os conteudos desta primeira atualização temos Francis Vogner falando do novo Woody Allen e também A Idade da Terra, o último Rohmer por Luis Carlos Oliveira Jr, entrevista com Andrea Tonacci, amplo cobertura das estreias do circuito (de Condor ao Homem de Ferro), vários lançamentos em DVDs (Kieslowski, Kiyoshi Kurosawa, Ben Affleck), um tops de filmes de cineastas americanos realizados na Europa, e uma seção de discos renovada (inclusive com a estreia do Tiago Superoito entre seus colaboradores).
As minhas próprias colaborações incluem criticas de Falsa Loura, Speed Racer, Margot e o Casamento e da caixa de blaxploitation da Magnus Opus.
Em parceria com a Heco de Eugênio Puppo, a Lume Filmes vai lançar a partir do segundo semestre de 2008 a Coleção Cinema Marginal Brasileiro. A Coleção suprirá uma falta incrível no mercado de DVD brasileiro, carente em filmes brasileiros fundamentais. Estarão presentes na Coleção filmes de Ozualdo Candeias, Rogerio Sganzerla, Andre Luiz Oliveira, João Callegaro, Jose Agrippino de Paula e muitos outros. Os filmes serão remasterizados e terão amplo material extra, com curtas-metragens, entrevistas, ensaios e até livros acompanhando os DVD´s. Esta Coleção está sendo pensada com calma e responsabilidade, em amplo trabalho de memória do Cinema Brasileiro. Para 2009, a Lume Filmes pretende lançar também outra Coleção - esta agora trabalhando o Cinema da Boca do Lixo brasileiro, com clássicos do filme policial brasileiro, western, trash e pornográfico.
Procuro fotos do Serras da Desordem no Google, e na primeira pagina junto com varias imagens do Carapiru aparecem fotos de Sindromes e um Século e Juventude em Marcha. As vezes o Google é inteligente.
Falando em Rosenbaum outro dia achei no blog do Chicago Reader uma discussão entre ele e o Alexander Horwath muito interessante a respeito de uma retrospectiva que o segundo organizava à época:
Rosenbaum:
I've seen a little less than half of Horwath's selections, but based on the titles I know--which include such films as Yi Yi, Mysterious Object at Noon, Nobody Knows, Moolaadé, The World, and La Ciénaga--it seems overall like a reasonable and intelligent list. Yet one of the three American titles selected, The Royal Tenenbaums, sticks in my craw, raising the question of how much any American film history of the present is likely to be composed differently inside and outside America. Horwath’s other two American selections, An Injury to One and Land of the Dead, strike me as irreproachable, both of them admirably bearing witness to what’s been happening in this country lately—even though the first of these, an experimental documentary by Travis Wilkerson, is about the murder of a radical union organizer in 1917. (As Fred Camper wrote in the Reader, Wilkerson “uses stark Montana vistas, combined with titles and narration, to argue that the depredations of capitalism lie behind every ruined landscape,” which is contemporary enough for me.) But The Royal Tenenbaums as some sort of index to what’s happening in the U.S. circa 2001? It’s not a matter of dissing or trashing Wes Anderson’s comedy to say that even from its pie-eyed middle-class perspective, it has little to offer on this subject--or at least little that I can see. But maybe Alex sees something in it that I don’t and should.
Horwath:
Jonathan, who I thank for his comments on our show in Vienna, asks if I see something in THE ROYAL TENENBAUMS that he doesn't. Well, I have only the tiniest bit of "defense" to offer (apart from the fact that I find it a marvellous film as such): I chose to include in this series not only films which treat "the present" very directly, in terms of themes and topicality, but also works which capture current states of mind in a social or everyday cultural sense. Nostalgia, melancholy, restlessness and a personally felt "lack of solutions" (states of mind which are prominently displayed in the texture and narrative of THE ROYAL TENENBAUMS) are, to me, the very important flip side of what we associate with "USA, 2001". THE ROYAL TENENBAUMS talks about USA, 2001 just like MEET ME IN ST. LOUIS talks about USA, 1944. A series on those years, the years between 1940 and 1946 let's say, would certainly have to include not only the themes and topicality of WW 2 and post-war malaise, but also films such as MEET ME IN ST. LOUIS which, on the surface, seem to retreat into an "apolitical" world of nostalgia and family, but in all actuality speak as forcefully about Americal self-imaginings at a time of war, invasion, and death.
Trailer do filme novo do Tsui Hark. Vendo ele me veio a pergunta o que aconteceu com Tsui Hark? Porque a noticia de que ele tem um filme novo não me anima mais? Não é que os filmes recentes dele sejam exatamete ruins (ok, alguns até são), mas salvo por O Tempo e a Maré ele não faz nada realmente relevante desde The Blade em 95. Alias é impressionante como a carreira de Hark se mistura com a industria local: 15 anos gloriosos entre 80 e 95, seguidos de um flerte desastrado com Hollywood e um longo ocaso em que se atira para todos os lados com alguns lapsos de genio.
Tsui Hark não é o Wim Wenders do cinema asiatico, mas é dificil comparar o cineasta dos ultimos filmes com o responsavel por exmplo por:
Perdido no meio das noticias sobre o filme do Meirelles esta a informação muito mais relevante de que o filme novo do James Gray (aparentemente uma versão livre para Noites Brancas de Dostoievsky) foi icluido a competição (tem um filme novo do Cantet também).
15 minutos de Nomad (82), possivelmente o melhor filme de Tam, que finalmente caiu na rede (agora alguem poderia fazer o favor de jogar Love Massacre e Cherie na web para que eu possa completar a filmografia do homem). Tam deveria ser bem mais conhecido do que é, mas ficou sem filmar durante o boom do cinema de Hong Kong no ocidente e seus filmes são muito dificeis de achar (o mesmo valendo para o Allen Fong, a outra figura do cinema novo de Hong Kong com que Tam se assemelha). Sem Tam, provavelmente não teriamos Wong Kar-wai e não só por Tam ter lhe dado o primeiro emprego na industria e mais tarde ter montado Days of Being Wild e Ashes of Time. O pupilo porém nunca superou seu mestre apesar de Days of Being Wild. Falando neles fica ai o trailer de Final Victory que Wong escreveu (a identidade do vilão do filme por si só o torna imperdivel para fãs do cinema de Hong Kong):
Nada pior para um cinefilo do que encontrar um mal filme de um cineasta que se tem em alta conta. A melhor coisa que podemos dizer deste penultimo filme de Otto Preminger é que ele esta longe de ser pavoroso como sua reputação sugere.Dito isso, trata-se de um filme exclusivo para completistas, seu interesse derivando quase exclusivamente do que representa dentro da carreira do diretor. O que impressiona em Rosebud é como o filme é completamente vazio, Preminger parece disposto a drena-lo de qualquer sentimento e elemento humano. È o mais morto dos thrillers, mesmo sua conclusão numa complicada operação de resgate nãlo desperta qualquer interesse. Ao filme sobra só os sistemas (mecanicos, eletronicos, de transporte) que garantam que sua trama siga num movimento para lugar nenhum. Mesmo o herói nominal (um Peter O'Toole, meio zumbi, meio robo) parece acompanhar tudo com um cinismo desinteressado. Não surprende que 75% dos dialogos devam ser pura exposição. Rosebud é o complemento e o completo oposto de O Fator Humano, um filme-sintoma do mesmo mundo universo que o cineasta olharia de forma impiedosa. Uma espécie de filme de horror. Seu vazio insuportavel prova de sua integridade como obra de arte.
Competição
"24 City," Jia Zhangke
"Adoration,"Atom Egoyan
"Changeling,"Clint Eastwood
"Che" ("The Argentine," "Guerrilla,") Steven Soderbergh
"Un Conte de noel," Arnaud Desplechin
"Daydreams," Nuri Bilge Ceylan
"Delta," Kornel Mundruczo
"Il Divo," Paolo Sorrentino
"Gomorra," Matteo Garrone
"La Frontiere de l'aube," Philippe Garrel
"Leonera," Pablo Trapero
"Linha de Passe," Walter Salles, Daniela Thomas
"La Mujer sin cabeza," Lucrecia Martel
"My Magic," Eric Khoo
"The Palermo Shooting," Wim Wenders
"Serbis," Brillante Mendoza
"The Silence of Lorna," Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
"Synecdoche, New York," Charlie Kaufman
"Waltz With Bashir," Ari Folman
Fora de Competição
"Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull," Steven Spielberg
"Kung Fu Panda," Mark Osborne, John Stevenson
"The Good, the Bad, the Weird," Kim Jee-woon
"Vicky Cristina Barcelona," Woody Allen
MIDNIGHT SCREENINGS
“Maradona,” Emir Kusturica
“Surveillance,” Jennifer Lynch
“The Chaser,” Na Hong-jin
SPECIAL SCREENNGS
“Ashes of Time Redux,” Wong Kar-wai
"Chelsea Hotel", Abel Ferrara
“Of Time and the City,” Terence Davies
"Roman Polanski: Wanted and Desired," Marina Zenovich
"Sangue Pazzo" (Crazy Blood), Marco Tullio Giordana
SCREENING OF THE PRESIDENT OF THE JURY
“The Third Wave,” Alison Thompson
UN CERTAIN REGARD
“A festa da menina morta,” Matheus Nachtergaele
“Afterschool,” Antonio Campos
“De Ofrivilliga,” Ruben Ostlund
“Je veux voir,” Joana Hadjithomas, Khalil Joreige
“Johnny Mad Dog,” Jean-Stephane Sauvaire
“La vie moderne (profiles paysans)”, Raymond Depardon
“Los Bastardos,” Amat Escalante
“Milh handha al-bahr,” (Salt of This Sea), Annemarie Jacir
“O’ Horten,” Bent Hamer
“Soi Cowboy,” Thomas Clay
“Tin Che,” (Parking),
"Tokyo!," Japan, Bong Joon-ho, Michel Gondry, Leos Carax
"Tokyo Sonata," Kiyoshi Kurosawa
“Tulpan,” Sergey Dvortsevoy
"Tyson," James Toback
“Versailles,” Pierre Schoeller
“Wendy and Lucy,” Kelly Reichardt
“Wolke 9” (Cloud Nine), Andreas Dresen
“Yi ban haishui, yi ban huoyan,” Fendou Liu
Algumas observações:
-- A competição no papel é menos manjada que o habitual, o que é bom, agora algumas das apostas são bem questionaveis (Eric Khoo? Charlie Kaufman?)
-- Só dois filmes franceses na competição. Numero baixissimo, mas parece que um outro frances ainda deve ser anunciado.
-- Segundo a imprensa americana um dos filmes do Soderbergh vai passar à Kar-wai numa versão não finalizada.
-- Não da para descreditar uma competição com Garrel, Jia, Eastwood, Desplechin, Dardenne, Trapero e Martel.
-- Alias, Walter Salles é produtor do filme do Trapero.
-- Sobre a inclusão do filme do Mendoza, bom saber que o blog e a Paisa esta sete dias a frente de Cannes hehe
-- Confesso que para mim a melhor noticia foi a inclusão do filme do Terence Davies, porque é sempre bom descobrir que grandes cineasta com dificuldades cronicas de financiamento estão com filme novo.
-- Un Certain Regard com Kurosawa - que a imprensa japonesa deve ter ficado muito decepcionada de ter perdido a competiução - e o filme novo da diretora do Old Joy.
Fiquei sem tempo de atualizar nos ultimos dias, mas tão logo chegar a São Paulo finalizo os dois textos que faltam para encerrar a cobertura, muitos bons filmes nos ultimos dias (em especial, os do Hong Sang-soo e Celina Murga).
Primeiro longa de Nolot, já bastante autobiografico, rodado na sua cidade natal e lidando com a sua relação complicada com o lugar. Alias, Nolot é uma figuraça, cortou o apresentador que lhe descreveu como um importante nome do cinema francês e terminou sua fala inicial avisando que todos os atores do filme são amadores... inclusive eu.
Tirador (Brilhante Mendoza,07) - ****
Filme sobre uma favela filipina muito talentoso especialmente no peso fisico que dá para cada sequencia.
Box Office Next Attraction (Raya Martin,08) - *****
Contracampo da imagem filmada. Anotem o nome desse rapaz Raya Martin, ainda vão ouvir falar muito dele.
Death in the Land of Encantos (Lav Diaz,07) - *****
Grande grande filme (e muito grande também). Espero escrever uma critica de fato dele quando voltar provavelmente para a proxima edição da Contracampo.
Possible Lovers (Raya Martin,08) - ****
Parte romance warholiano, parte thriller dos mais tensos, não acontece nada, mas você passa o filme todo acompanhado tudo com atenção.